sábado, 8 de dezembro de 2018

Imagine Harry Styles - Don't Forget - Parte 1

Dont Forget - Parte 1


"But Somewhere We Went Wrong, We Were Once So Strong, Our Love Is Like A Song, You Can't Forget It"
-Demi Lovato
Avisonesta fanfic Harry Styles não é famoso.
P.s: Inspirado na música Don't forget - Demi Lovato

(Futuro/ 25 de novembro de 2017)

" O Som de um erro na nota da guitarra foi o aviso que eu precisava pra saber que meu tempo havia acabado, tudo oque tínhamos teria que acabar ali, sonhos, projetos, desejos... maldita mídia.
 Respirei fundo.
  Eu não podia desistir agora, havia muita coisa em jogo, muitas pessoas por trás disso. A fama não é como eu imaginava, por trás de todos aqueles shows, gravações, sessões de fotos, comerciais, roteiros, sorrisos, autógrafos e holofotes, há um grupo de pessoas poderosas e de grande poder aquisitivo, que só querem sugar tudo oque você pode conquistar, pessoas que te tratam como objetos, pessoas que acham que podem comprar sentimentos com contratos, esconder minhas lágrimas com sorrisos, pessoas que em toda a minha vida me trataram como uma máquina de fazer dinheiro... elas eram até inofensivas até certo ponto, mas quando as ameaças de morte começaram, eu me assustei, tentei recuar mais não havia saída, ou eu agia como mandava o contrato, ou eles me matariam, e se eu ousasse entregar oque acontece por trás de tudo, todas as manipulações que venho sofrendo desde que entrei nesse "terrível" mundo da fama, minha morte seria lenta e tortuoso.
   Vamos SeuNome querida, dê o seu melhor sorriso... sabe oque vai acontecer se não sorrir e abraçar todas aquelas pessoas, não? foi oque eu ouvi durante toda a minha vida, e quer saber? estou esgotada de toda essa merda.
Olhei para trás e o meu baixista me lançou um olhar de preocupação.
 Quem me dera se a minha desobediência afetasse só a mim mesma, eu iria atingir a todos ao meu redor, amigos, familiares, fãs, e até os haters.... Vamos SeuNome, você consegue!
 A decisão era minha, eu tinha que escolher entre a minha felicidade ou a vida do Harry... eu já passei por essa situação antes, bem no passado, antes de tudo isso acontecer, eu tinha que decidir entre eu e ele, e a minha decisão foi... a mais egoísta.
Engoli em seco.
Ah, quer saber? que se foda os meus sonhos, agora é a vez do Harry, e o meu tempo já acabou!
Respirei fundo novamente. Continuei cantando a música com letras e coreografias ensaiadas por horas, mas que naquele momento, eu esqueci completamente.
 Já podia imaginar os jornais... aquele seria o acontecimento do ano, e seria lembrado por no mínimo uns dez anos, dependendo da memória das pessoas. Podia imaginar os fãs, a família, meus amigos famosos e os pessoais, meus colegas de banda, meus pais... o Harry.
 Ah, o Harry, aquele seria um caso á parte, aquele garoto se tornou o meu ponto fraco, e do dia pra noite, eu me tornarei o dele.
 Andei em direção ao público, ouvindo fãs gritarem histericamente, com seus doces corações batendo mais forte, e seus lábios pronunciando o meu nome e palavras de afeto. Estendi a mão a um fã -  que me tocou como se eu fosse um deus, e não um ser humano como ele - , e fui caminhando e tocando as mãos de mais fãs sucessivamente, até tocar na de um que eu bem conhecia, aquele pele quente e macia, que já me tocou de diversas maneiras, e naquele momento fez uma onda elétrica atravessar o meu corpo, encarei seus olhos verdes assustada, e ele sorriu de forma adorável, enquanto acariciava a palma da minha mão com carinho... aquilo seria muito mais difícil que eu pensava.
 Ele me olhava com luxúria, agia como se fosse o cara mais sortudo do mundo por me ter só pra ele, seus dedos acariciavam os meus, como se houvesse nós dois ali, e era justamente tudo oque eu queria.
Outro erro nas notas, agora não só a guitarra, como também o baixo.
 Aquilo não era apenas um sinal, e sim um pedido de socorro. Eu havia tocado as mãos do "rejeitado" pela mídia, ninguém me queria perto dele, agiam como se ele não fosse o suficiente... e aqueles seres humanos horríveis iriam matá-lo se eu não agisse de acordo com o plano.
 Eu só queria acordar agora, e descobrir que tudo foi um sonho, que eu não sou famosa coisa nenhuma, e que nada disso aconteceu, eu contaria tudo para o Harry, e ele me abraçaria todo protetor, me beijaria como nunca, e me faria esquecer tudo isso.
 Soltei aquelas mãos, sentindo os meus olhos arderem e o meu coração acelerar... era agora.
 Fui até o local combinado. já podia sentir o sorriso de satisfação no rosto daqueles desgraçados, iriam rir pelo resto da noite, principalmente pelo sofrimento do meu Hazz.
   Já estava em posição, alguns caras já estavam a alguns metros atrás de mim, prontos para o meu fim.
   Sussurrei a última frase da música encarando aqueles olhos verdes, até uma sequência de três tiros me atingir, e eu conseguir murmurar um "Adeus" antes de cair no chão, e todas as pessoas daquele lugar entrarem em desespero. Eram muitas vozes e gritos, e eu já perdia as forças... iriam adormecer, e agora é pra sempre.
  Entre todos os gritos, ouvi um em específico que me abalou.
- SEUNOME POR FAVOR! DIZ ALGUMA COISA... - Harry gritou roucamente - POR FAVOR...- ouvir a sua voz chorosa, despedaçou oque restava do meu coração -  NÃO FAZ ISSO COMIGO! NÃO ME DEIXE... DE NOVO! "
(...)


(Passado/ 08 de dezembro de 2014)

        O meu corpo tremia como nunca na vida - talvez pelo simples fato de ninguém nunca ter me deixado ter algum contato com chuvas -, minhas roupas estavam encharcadas e frias, a pele do meu rosto estava gelada assim como meu cabelo. A chuva era intensa, e eu sabia disso desde o momento em que resolvi fugir do ônibus de viagens em meio a uma das turnês mais lucrativas dos últimos tempos, cheguei no ápice da minha carreira, e ao contrário do que sempre imaginei, eu não estou nada feliz.
      Quem sou eu? sou SeuNome Moore, a garota que todos admiram, que é exemplo de comportamento para garotas e até mulheres do mundo todo, que é o maior desejo de garotos em plena puberdade e até de homens casados no auge dos seus 50 anos. Fiquei famosa aos oito anos de idade, e aqui estou eu com meus dezessete e ainda causando o mesmo efeito histérico em muitas pessoas. Sempre em listas Vip's de todas as festas, sempre em capas de revistas adolescentes, sempre cantando nos melhores lugares do mundo, atuando em uma média de 7 filmes por ano, e já adquiri a minha própria série de tv. Grammys e Oscar's nunca me faltaram. Bilhões de dólares lucrando anualmente, e grande parte sendo doada para instituições de caridades pelo simples fato de: EU NÃO SABER OQUE FAZER COM ESSE MALDITO DINHEIRO.
         Essa não é a história da garota que vai pra Londres com as amigas, esbarra com alguém na rua e pronto, achou o grande amor de sua vida, ou a da garota que acordou atrasada para ir ao colégio ou a qualquer outro lugar, e na pressa é atropelada pelo amor de sua vida, e muito menos a da garota feia que se apaixona pelo popular que faz bullying com ela. Nada disso, essa é a biografia da minha vida... e um esclarecimento a todas pessoas que acham que o mundo da mídia é algo bonito e maravilhoso... ele é sim um mundo maravilhoso, mas apenas para as pessoas que estão por trás de tudo, manipulando a sua vida, passando mensagens ruins que influenciam a vida de muita gente em seus clipes, e te ameaçando de morte se você não fizer o que eles querem. "Bem-vindos ao meu mundo!"
       Estou farta de pessoas ao meu redor me dizendo o quanto tem inveja de mim, e o quanto queriam ter ao menos um terço da minha fama, dinheiro e poder, um terço da minha vida perfeita... mas eu só queria gritar com todas as letras um "Eu não sou feliz!" e acabar com toda essa palhaçada. Não vou mentir dizendo que nunca fui feliz, pois bem no início, quando eu era uma criança e não fazia ideia de tudo oque acontecia por trás daqueles shows superfaturados, e gravações gigantescas para os melhores filmes do ano, eu achava a minha vida o máximo, me sentia no topo do mundo, mas foi a quase a única fase feliz da minha vida. Quase por que houve uma fase antes disso, uma em que eu era uma menininha inocente e estava diante da melhor pessoa que eu pude conhecer na vida, o garoto de sorriso puro e brilho no olhar, que me fazia rir com suas palhaçadas e foi o meu primeiro amor... Harry Styles.
   Meus dentes trincavam um contra o outro, meu corpo estremecia e manter os olhos abertos estava ficando cada vez mais difícil graças a forte chuva que resolveu cair naquele maldita noite... mas por um lado aquilo era bom, ao menos eu podia caminhar por aquelas ruas sem ser reconhecida, nenhum paparazzi, nenhum Hater, e eu não precisava ouvir alguém gritando: "Vejam, é a Diva SeuNome Moore!"
   Naquela chuva eu não era SeuNome Moore, muito menos uma diva. Eu era uma pessoa normal... eu não era ninguém.
      Coincidências... eram as malditas coincidências que me fazem chorar em todas as noites chuvosas, e nessa em especial, porque... hoje completavam oito anos.
   Oito anos do melhor - e ao mesmo o tempo o pior - dia da minha vida. Maldito destino, maldita falta de dinheiro, maldita proposta feita, maldita seja eu por aceitar que a minha vida tomasse esse rumo.
Meus passos eram apressados, desde alguns anos, não consigo mais andar na rua sem sentir essa sensação de insegurança me perturbando, é como se os "caras" fossem me seguir aqui também.
 "Os caras" que eu digo, são as pessoas que estão por trás de tudo isso, nunca vi nenhum pessoalmente, suas ameaças são todas através de pessoas aleatórias. Eles decidem tudo oque irá acontecer na minha vida, que roupa irei usar na próxima apresentação - eles sempre escolhem as mais ousadas, pra chamar atenção -, quem será o meu próximo namorado, que é sempre um queridinho da música, que depois de alguns meses termina e eu sou obrigada a escrever uma música, pra que ela faça pessoas chorarem, e as vendas subirem. Eles também já sabem a idade em que eu irei casar - o noivo, obviamente, já deve ter sido escolhido -, quantos filhos irei ter,  até quando o casamento dura, etc, etc, etc.  




     Meu ônibus de viagens pra turnês parou ao meu lado, me fazendo paralisar, por poucos segundos, o meu coração parou de bater, e depois voltou com força total.
     Ótimo, os caras mandaram alguém vir atrás de mim. Eu até podia fugir correndo, mas fugir não é uma opção quando sua vida depende de algo, e era esse o meu caso e o de milhares de artistas por aí, eles não fogem, mas quando fogem, são encontrados mortos dias depois, com provas comprovando que foi suicídio, mas que na verdade, foi só um crime muito bem executado.
    Uma porta se abriu, e de lá saíram a minha empresária, e ao seu lado Gemma - minha melhor amiga -, as duas correram até mim, e me abraçaram firmemente, como se temesse que eu fugisse.
 - Você está louca SeuNome? - ela gritou, pegando no meu rosto frio e analisando o meu cabelo e roupas encharcadas - são quase 5 da manhã, e você está nessa chuva terrível? e se pega uma gripe, um resfriado ou até uma virose? eu teria que desmarcar todos os shows da turnê! nada de Disney pra você esse ano, mocinha...
- Foram eles não foram? - disse rudemente, ignorando todo aquele discurso ensaiado - eles mandaram vocês virem atrás de mim antes que eu fugisse, não é mesmo? - gritei e ela arregalou os olhos - ah, deixa eu adivinhar... você tinha o prazo de me encontrar antes do sol nascer, ou perdia o emprego?
Eles? de quem você está falando? - ela respondeu nervosa, e passou a mão na testa... poderia mentir á vontade, mas seus gestos corporais lhe entregariam.
Era sempre assim.
  Pensei em responder... eu podia dizer que ouvi a sua conversa uma vez, que li uma das mensagens formais e carregadas de ameaças que essas pessoas faziam, poderia contar que ouvi um cara dizendo que eu era a vítima perfeita, e que eles estavam faturando bilhões em cima disso tudo... mas, do que adiantaria? eu nunca poderia denunciá-los, e isso só iria por a minha vida em risco.
 - Nada - sorri docemente - eu estou bem! - afirmei, enxugando as lágrimas que já deviam ter parado de escorrer.
 Meu coração estava apertado, e sorrir não ajudava em nada.
- Vamos SeuNome... - ela respirou fundo - você tem uma entrevista marcada pra amanhã ás sete, além de gravações, e ensaios pra turnê... sua agenda está lotada.
Assenti e entrei no ônibus, seguida por ela e por Gemma, que não tirava os olhos de mim.
  Minha empresária entrou dentro de um dos "quartos"que tinha dentro do ônibus, e me entregou uma toalha, que não aliviou nada do meu frio, ela quase me deu outro sermão sobre o horário, e o quanto eu precisava estar dispersa na entrevista, mas desistiu quando viu o meu estado... eu estava triste, muito triste, coisa que ela via poucas vezes.
 Olhei para os lados, e notei que finalmente estava sozinha de novo, me sentei de frente pra uma das janelas do ônibus e cobri os meus braços com a toalha, meus lábios tremiam, e as minhas mãos estavam geladas.
 Os flashes dos acontecimentos daquela noite a oito anos atrás dominaram a minha cabeça, e eu senti a minha garganta se apertar, e meus olhos ficarem cada vez mais embasados... foram poucos minutos, e eu já estava chorando do novo.
                              

 Gemma ficou parada no encosto da porta, e me observou por breves minutos, até resolver sair dali e se sentar a minha frente, olhando nos meus olhos dolorosamente.
- Okay, já pode me contar oque está acontecendo - sua voz saiu firme - Por que você está chorando?
Olhei para o chão, como se estivesse uma resposta ali, ou uma saída. Ás vezes eu não quero me abrir, mesmo que seja com a minha melhor amiga, eu prefiro me calar e guardar tudo pra mim, falar de certos assuntos pode me fazer chorar mais ainda.
- Você não precisa saber... - Minha voz saiu mais chorosa e aguda do que eu planejava.
- É por causa dele, não é? - Ela disse de repente, e se eu não estivesse sentada, certamente cairia - Você ainda não superou estar longe do meu irmão?
Esse é o grande problema em ter amigas tão próximas como a Gemma, elas geralmente te conhecem mais do que você mesma.
Eu não sabia oque responder.
 Mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa minha vida de entrevistas-todo-fim-de-semana, é que você nunca deve se calar, precisa sempre ter uma resposta ali, reformulada, pronta pra ser lançada, e é bom que sempre diga a verdade.
Respirei fundo.
- Sim, é isso mesmo - Eu estava chorando mais ainda - Afinal, são oito anos sem ele...
- Ai meu Deus SeuNome, eu não sabia que você estava contando... - Ela pôs a mão na boca surpresa e admirada.
- É que completam hoje... e esse dia maldito tinha que ter chuva, não tem como ficar mais depressivo- suspirei, voltando a olhar pela janela.
- Eu te entendo... também sinto falta dele, e lembro dele sempre que estou sozinha... - Ela deu um sorriso nostálgico, como se estivesse se lembrando de algo. - Afinal, o Harry é o meu irmão mais novo, e ao mesmo tempo, a pessoa mais fofa e engraçada que eu já conheci... - deu uma pausa, e voltou a ficar séria - mas você já tinha que ter esquecido dele SeuNome... você sabe muito bem oque eles podem fazer - olhou para os lados, como se checasse se tinha alguém vindo, e sussurrou - eles não o escolheram, e surtariam se te vissem com alguém que não tenha nenhuma fama e dinheiro, que pra eles é... sem utilidade.
- Eu sei Gemma, mas ás vezes eu penso... será que a minha vida vai ser assim pra sempre? eu nunca vou poder ter as minhas próprias escolhas? vou sempre depender da aprovação deles? - sussurrei a última palavra.
- Tudo isso vai acabar... seus fãs vão crescer, vão achar outros ídolos, e aos poucos vocês irá sumir da mídia e vai poder ser uma pessoa normal - Disse calmamente, mas a última coisa que aquelas palavras fariam seriam me livrar desse ataque de nervos. - E se eles não desistirem de você, você pode começar a fazer coisas erradas, desafinar em shows, tratá-los mal, e logo logo eles te esquecem.
- Mas... não pode ser assim... v-você não entende - olhei pra ela novamente, me esforçando ao máximo para sorrir - Em todos esses anos eu vi pessoas que realmente me amam e admiram, vi parte delas tatuando o meu nome, dedicando noites das suas vidas pra me mandar tweets, me dedicando fc's, tumblr's, subindo tag's, escrevendo músicas, fugindo de casa pra assistirem aos meus shows... eu não posso simplesmente esquecer de tudo isso, e desistir deles...- Sorri fraco, enxugando o meu rosto em seguida.
Ela suspirou, desistindo de seu plano maluco.
- Mas então... porque mesmo você estava chorando? - voltou a perguntar.
- Eu lembrei de tudo... todas as coisas que aconteceram e que eu não contei a ninguém... até porque, se alguém soubesse, logo eles saberiam... - falar sobre eles tantas vezes já estava ficando engraçado.
- Me conta SeuNome... por favor, você sempre fugiu desse assunto, ou resumiu tudo oque aconteceu... eu preciso saber oque aconteceu naquela noite a oito anos atrás, antes de nós irmos embora, e... deixá-lo.
- Ai Gemma, eu não sei se devo contar... - eu estava prestes a ceder, mas falar sobre aquele assunto iria provocar um aperto no meu coração, e eu não sei se estava pronta pra aquilo.
- Confia em mim, okay? - ela disse de forma adorável - eu sou irmã dele, e acima de tudo sua melhor amiga, eu não espalharia nada sabendo que te prejudicaria...
Suspirei, eu teria que contar... ela tinha todo o direito de saber.
- Tudo bem... - Sorri e olhei pra janela novamente, a chuva não tinha nem ao menos diminuído, continuava forte e gelada.
(Clique aqui, e deixe esse som enquanto lê)
-Harry e Eu, éramos amigos desde muito pequenos, e você já sabe disso... - disse e ela assentiu - e então a nossa amizade foi ficando a cada dia mais forte... Harry não era como os outros garotos, ele não gostava de me irritar ou agia como um idiota. Ele era brincalhão, espontâneo, adorável, engraçado, e ás vezes protetor... - sorri, e respirei fundo, notando que logo começaria a chorar novamente - ele sempre me fez rir, não importava se eu estava triste ou feliz, se o momento era bom ou ruim, ele sempre conseguia me arrancar um sorriso, e isso era incrível. Até me lembro de uma vez, em que ele estava triste, era a minha vez de ajudá-lo mas eu não sabia como fazer isso, então ele fingiu estar feliz pra me agradar, e novamente, me fez rir - enxuguei as lágrimas, sentindo meu coração ficar dolorido, como eu sentia falta daquele garoto... - Sempre que eu tinha um problema, ele ficava ao meu lado, e eu não retribuía bem a isso, eu sei... mas eu era só uma criança...
- E ele também...- Gemma se intrometeu, mas logo assentiu e pediu que eu continuasse.
- Okay, eu tenho uma parcela de culpa... mas enfim, eu me sentia a garota mais feliz do mundo por ter um amigo como aquele, um garoto como Styles... e o tempo foi passando, e quando eu vi, já tinha oito anos de idade e ele nove... e toda essa admiração que eu tinha por ele, foi se tornando atração, e depois paixão... e quanto eu vi já era amor... o meu primeiro amor - sorri mesmo tendo lágrimas escorrendo de meus olhos, tentei respirar fundo pela milésima vez, mas dessa vez não deu certo, e eu passei a chorar compulsivamente, com os lábios comprimidos e o corpo prestes a desabar - Mas ele não percebeu isso, afinal, ele é Harry Styles, nunca perceberia nada que ninguém o contasse... bom, até aí eu acho que você já sabe de tudo, mas... quando eu tive que vir embora pra cá, aconteceu algumas coisas que talvez você não saiba...
                                                               .FlashBack On.

- Ai meu Deus, Harry! - disse emburrada - Eu já disse que vou embora a essa noite, não precisa ficar perguntando a cada cinco minutos.
- Desculpe SeuNome, mas é que... eu não consigo acreditar. - sussurrou baixinho, daquele jeito que só ele sabia fazer e eu senti meu coração doer.
Ele estava com medo, assustado, inseguro. Já senti algo parecido, e preferia morrer a ver ele se sentir dessa maneira, queria abraçá-lo e dizer que iria ficar ali pra sempre, que mesmo com a perda de sua mãe e o sumiço de seu pai, eu estaria ali, eu e Gemma seríamos a sua família... mas não era verdade.
 A verdade é que nós vamos embora a essa noite, e o deixaríamos com uma nova família que ele nem ao menos conhece.
Me aproximei devagar, vendo sua cabeça baixa e seu olhar perdido.
- Hazz... - chamei-o pelo apelido que eu mesma escolhi - Olha pra mim.
Ele hesitou por alguns minutos, mas com a minha insistência ele levantou o rosto devagar, e então eu pude ver...
Eu me lembraria daquele momento pelo resto da minha vida.
Ele estava... chorando?!
Não, não, não!
Isso não podia acontecer, Harry não merecia sofrer, e muito menos por mim...
Ele é o meu melhor amigo desde que eu me entendo por gente, e não posso aceitar vê-lo pra baixo dessa forma.
Mas ele estava ali... os lábios entreabertos, os olhos merejados, um tanto perplexo, enquanto sua boca tentava fazer um movimento que mais se parecia com um... sorriso.
Ele estava tentando sorrir.
Sorrir para me alegrar, e me dizer que estava bem. Mas eu sabia que não estava, tinha certeza que no momento que eu saísse dali ele iria chorar até não poder mais.
Tive que resistir a enorme vontade de abraçá-lo, e chorar junto com ele, dizer que não precisa fingir estar bem, porque eu sei que nada disso é verdade, dizer que ele não precisa se preocupar tanto comigo, e que ele jamais ficará sozinho, porque ele é um ser humano maravilhoso e todos amam ele... Mas isso também era mentira afinal, ele não tinha amigos, apesar de ser um garoto adorável, ficaria sozinho por muito tempo, e saber disso não me alegrava nem um pouco.
- Q-qu... - tentou falar, mas gaguejou - Quando... ahn... você vai? - falou, e eu quis rir da sua falta de jeito, eu riria se não estivesse prestes a chorar.
- Hazz... e-eu... - desisti de ficar enrolando quando vi seu olhar esperançoso, e resolvi dizer de vez a pior parte antes que seja tarde demais. - Duas horas. -suspirei - Harry, eu vou embora em duas horas.
Pude ver as lágrimas escorrendo por seu rosto no minuto em que ele se levantou do seu pequeno refúgio no canto do quarto, e não aguentou... saiu de lá.
- Harry! - chamei-o insegura, seguindo-o pela casa - Não será tão ruim assim, afinal, sua nova família é legal, eu os vi andando pela rua um dia desses, e... ahn.... você fará amigos, e... - não fazia a mínima ideia do que falar, pensei no que ele falaria se fosse o contrário, se eu estivesse sozinha no mundo, e ele tivesse prestes a fugir com Gemma para outro país, para correr atrás de um sonho...
É, isso não aconteceria.
O mais provável seria que ele desistisse do sonho.
Meu pequeno protetor.
Maduro o demais pra uma criança de nove anos.
Estou me odiando muito nesse momento.
Saí de meus pensamentos quando notei que ele andava de um lado para o outro, murmurando algo baixo, que eu me esforcei para ouvir:
- Nunca mais te verei na escola andando pelos corredores, nunca mais ouvirei sua voz logo pela manhã... nunca mais poderei ficar tentando te convencer de que tem talento, enquanto você tenta me provar o contrário... - franzi a testa sem a mínima noção do que ele estava fazendo, mas e então, quando percebi exatamente oque ele fazia, senti uma pontada no meu coração, e minhas pernas fraquejarem - Nunca mais chegarei em no recreio ansioso para contar o meu dia pra você, porque você não estará mais lá, e eu esterei sozinho... nunca mais vou ver o seu sorriso, nunca mais poderei te animar quando estiver triste, nunca mais poderei te abraçar, nunca mais poderei te defender das pessoas que tentarem te machucar, nunca mais... - ele continuava listando as coisas que nunca mais aconteceriam, e eu... Bom, eu só sabia chorar.
- Styles... - murmurei, não aguentando mais nem um segundo, e o abracei forte, enquanto ele ficava paralisado no meio da sala, e retribuía o meu abraço -...e-eu, eu posso ficar se você quiser... de verdade, esse sonho é só uma bobagem mesmo.
Ele me soltou no mesmo instante.
- Não. - disse firme, mesmo estando chorando - Nunca mais repita isso, não é uma bobagem, é o seu sonho e você não vai desistir dele.
- Mas você irá ficar sozinho... com aquela família. - Engoli em seco, até eu mesma sabia que aquela não era a família ideal pra ele, estão ficando com ele por não ter outra opção, e não por realmente gostarem dele. - Não. Eu não posso deixar você aqui.
- De qualquer forma isso vai acontecer, não vai? - Me encarou com seus olhos verdes - Eu não tenho escolha. Então corre atrás do seu sonho, e nunca mais diga que é uma bobagem.
Voltei a abraçá-lo, e não queria sair dali nunca mais.
- Nós precisamos nos despedir, Hazz... - suspirei - São só duas horas, e precisamos fazer delas as melhores duas horas das nossas vidas - olhei para ele, só para encontrar um olhar esperançoso no lugar de lágrimas.
- Então... - ele sorriu - eu já sei oque fazer.
Me puxou, me levando no meio da chuva até a sua pequena casa da árvore, abracei meu próprio corpo sentindo o frio, enquanto ele mexia com a madeira que cobria a lateral da casinha, e... um fundo falso?!
- Hazz, oque é isso? - disse curiosa, enquanto ele me levava lá pra dentro, e então eu pude ver um local abandonado, empoeirado, mas ao mesmo tempo tão pequeno e aconchegante - Um esconderijo secreto, que antes era só meu. - levantou um ombro e eu ri da sua falta de jeito - Era aqui que eu me escondia quando brincávamos de esconde-esconde... e, droga, não vou mais poder me esconder aqui. - decidiu.
Senti meu coração se despedaçar em milhões de pedaços.
Ele ainda acreditava que eu iria voltar, ainda tinha esperança de qualquer dia eu aparecer por aqui, e brincar com ele novamente.
Ele ainda estava sorrindo, quanto notou oque acabara de dizer.
- Ahn... só se você quiser, caso não queira mais brincar comigo, não precisa. - olhou para os próprios pés inseguro.
- Eu adoraria. - sorri, mesmo sabendo que aquilo provavelmente não aconteceria.
Ele sorriu, estava diferente, eu percebi, parecia nervoso, ou ansioso para algo.
Olhava para o chão o tempo todo, suas mãos tremiam, seu olhar parecia perdido...
E então algo inesperado aconteceu. Ele me beijou.
Meu mundo se revirou várias vezes consecutivas, e eu não consegui controlar os meus batimentos.
E quando ele se afastou, eu não tinha ideia do que fazer... estava tão confusa, e novamente estava chorando.
Porque as coisas precisam acontecer assim?
-Hazz... e-eu... ahn...- tentei dizer algo, quando ele me interrompeu.
- Eu amo você. - sorriu docemente.
E novamente ele estava muito próximo, olhando nos meus olhos e com um olhar preocupado e a mesmo tempo tão puro e inocente... acariciou o meu rosto devagar.
- Não chora por favor. - sussurrou.
- Harry... a quanto tempo... ahn... v-você...? - encarei meus próprios pés tentando formular alguma frase que fizesse o mínimo sentido, mas ele compreendeu mesmo assim.
Ele me conhecia demais.
- Quando eu reparei no jeito que você sorri, na forma que você fica vermelha quando está com vergonha, na forma que seus olhos brilham quando está feliz, a forma como o seu cabelo muda de acordo com a forma que você penteia, em como você fica adorável mesmo sem maquiagem... - ele sorriu todo simples, mostrando as covinhas - Essas coisas.
Senti meu coração bater de uma forma diferente, todo aquele aperto ruim que eu sentia por estar indo embora, foi embora e eu me sentia bem, não poderia ficar feliz pois estava indo embora, mas pela primeira vez eu tive a certeza de que aqueles seriam os melhores últimos minutos de todos.
(...)
Estávamos conversando a alguns minutos, sentados em um canto de seu novo esconderijo recém-descoberto. Ele me contava sobre o quanto a minha vida iria melhorar dali pra frente, tentava me animar, não me fazer desistir, mas eu estava com a cabeça em outro lugar... só conseguia pensar em como a vida dele seria dali pra frente. Quem seriam seus amigos? Como sua nova família o trataria? Com quem ele desabafaria? Quem o faria sorrir novamente? Qual seria o seu destino?
Meus pensamentos foram interrompidos quando ele pôs algo em meu pulso, e quando eu observei melhor, era uma pulseira, pequena, brilhante, e simples. Tão simples que parecia ter sido feita por ele.
Senti minha garganta se apertar, e uma enorme vontade de voltar a abraçá-lo me veio.
Torci com todas as forças que ninguém nunca o magoasse, e nem fizesse ele se sentir menos do que perfeito.
Ele não merecia isso.
Senti sua mão quente acariciando a minha, e me fazendo me sentir melhor por alguns minutos, principalmente com o seu sorriso conformado.
- Estou muito feliz por estar aqui, nunca me senti tão feliz na minha vida. - confessou - mesmo essa sendo a última vez.
Queria respondê-lo, dizer tudo oque estava preso na minha garganta por todos esses anos, tudo oque eu sentia... mas eu não conseguia falar, e se eu me esforçasse começaria a chorar.
Vi os minutos se passando, e toda a minha coragem indo junto, e foi quando eu percebi que já era hora de ir.
- Bom... acho que é agora. - estava tentando parecer forte, mas por dentro estava desabando. - Chegou a hora do adeus...
- Você vai mesmo? - disse confuso, e... oh não, ele ainda tinha esperanças de que eu ficasse. - Nós nunca mais vamos nos ver? Não sei se estou pronto pra isso. - suspirou.
E foi ali que toda a coragem veio junto com uma grande dose de adrenalina, e eu alcancei os lábios e o beijei, depois me levantando e correndo rapidamente na chuva.

(...)

- SeuNome... e-eu... olha pra mim. - ele disse contra a janela do carro, que já estava ligado e prestes a sair, e eu o ignorei por falta de coragem de encará-lo - Por favor... olha pra mim... não me deixe, e-eu... - podia ouvir o seu choro, e estava me segurando para não encará-lo e transformar aquele momento em algo mais trágico do que já está - V-você é a minha melhor amiga, e agora eu não quero te perder... Por favor, não me deixe sozinho aqui... Lembre-se de todas as vezes que eu te ajudei, e também das vezes que eu precisei ajuda e você era a única que estava ali ao meu lado... SeuNome, e-eu não tenho mais ninguém, e...
O motorista acelerou e ele foi deixado para trás.
O meu Hazz... o meu único amigo.
A pessoa que sempre me ajudou quando eu precisei estava com problemas... ele tinha medo de ficar sozinho, tinha medo do que sua vida seria dali pra frente... e oque eu fiz? Eu o ignorei.
Apertei meus olhos, esperando ter feito a escolha certa.
- Porque você não falou com ele? Porque você ignorou ele? Ele parecia ter algo importante pra dizer...
- Foi melhor assim. Não quero transformar esse momento em algo mais triste do que já é. - Disse me ajoelhando sobre o banco do carro, observando Harry pela janela.
Ele parecia tão perdido, tão sozinho. Pude ver quando ele limpou o rosto e parecia estar enxugando as lágrimas.
Eu o fiz chorar.
Respirei fundo, voltando a observar um garoto cada vez mais distante, e o meu coração doía muito.
Ele não era qualquer garoto.
Era o meu Hazz.
                                                            .FlashBack Off.

Então, esse tempo todo a sua pulseira da sorte, era na verdade...- Gemma mal conseguiu concluir a frase e eu assenti.
- Sim, é a pulseira que ele me deu naquele dia.
Ela sorriu, levemente emocionada.
- Não acredito que tudo isso acabou dessa forma... e-eu não entendo...
- Nem eu Gemma... nem eu.

Você me deu todo o seu amor, e em troca eu só te dei um adeus.
Taylor Swift



Continua.
(...)


Hey Moças! <3
Bom, primeiramente tenho que dizer que estou muito feliz por todos os comentários que Don't forget andou recebendo, e eu andei relendo e sinceramente não havia gostado do que eu escrevi. Não sei, não me pareceu bom o suficiente. E então eu resolvi reescrever tudo, e agora estou repostando essa nova versão - que pessoalmente é muito melhor.
Espero que gostem apesar de esse é primeiro capítulo ter saído meio dramático huahuahua
Mas de qualquer forma, eu espero que vocês tenham gostado ^^
Comentem, e em breve eu posto a continuação.
Beijos.

You're Perfect To Me - Sinopse




    "Desejava aqueles lábios avermelhados contra o meu pescoço, sussurrando palavras insanas enquanto arrepia cada centímetro de pele e me levava á loucura"
    Ele é um dos garotos mais desejados de todo o colégio, sempre que passava, era possível ouvir suspiros pelos corredores. Ele sabia o efeito que causava nelas, e não media esforços para mudar isso. Dono do olhar mais profundo e intimidador que os meus olhos puderam ver, um sorriso misterioso e encantador, uma voz intensamente rouca que fazia o meu corpo estremecer. Estar perto dele, era o mesmo que dar adeus a toda sanidade que me restava, e ele adorava isso, adora me intimidar. Jogador do time de basquete, e com um futuro ganho graças ao poder de seus pais. Seu rosto é como o de um anjo, mas quem o olha pode ver um demônio dentro daquele olhar.
Ele é Harry Styles e está disposto a fazer da minha vida um inferno.

"-Por que está se afastando? não tenha medo de mim meu amor, só quero o seu prazer... não deixe aquele desgraçado voltar a olhar pra você, pois você é Minha"

  Um amor proibido, cheio de ciúmes, obsessivo, e quente.

Categoria: One Direction
Gênero: Romance, Drama, ação
Boy da fic: Harry Styles
Personagem principal: SeuNome Collins
Terminada: Não

-



                                                                           Capítulos



You're Perfect To Me - Primeiro Capítulo

                                           You're Perfect To Me -
                  Welcome to my life

                     

 "E sem perceber, eu criei uma enorme barreira em volta de mim para que ninguém a ultrapassasse, dentro dela só poderia haver a única pessoa que nunca me abandonaria, eu mesma. 
    Mas um dia, ouve alguém com ousadia o suficiente para ultrapassa-la. E a partir daí a minha vida se tornou um inferno".
                                                                                               
                                                                                                   SeuNome Collins - 21 P.M - New York

     Vejo a porta do carro sendo aberta, e um sorriso triste vindo do motorista, tentando me encorajar a sair. Eu não queria, eu só queria poder sumir e fugir da realidade.
   Mas aquela era a minha realidade.
    Nesses dias a vida tem sido nada justa comigo, há poucas semanas eu não tinha do que reclamar da vida, tudo parecia perfeito. eu vivia uma vida de luxo com os meus pais, não me faltavam amigos ou garotos, eu me sentia feliz, vivia como se não houvesse um amanhã e não me preocupava com nada.
    Mas então, aquele maldito acidente tinha que acontecer, e levar consigo tudo oque eu tinha de mais precioso, os meus pais.
     Confesso que no início eu achava que não saberia viver sem eles, eu me via sem chão, sem rumo, era como estar presa em uma escuridão por toda eternidade, eu nunca superaria aquela dor. Mas eu tinha que aceitar o fato da vida estar sendo dura comigo dessa forma, eu precisava ser forte.
   Como se não bastasse a dolorosa perda dos meus pais, a minha guarda foi passada para a minha tia, até que eu fosse maior de idade, ou seja, a minha vida será um inferno durante três longos anos, ótimo.
  Eu não veria o menor problema em conviver com ela, se ela fosse daquelas tias normais que te ajudam a superar a morte dos seus pais e se torna uma segunda mãe. Mas o problema é que a minha tia não é nada  normal, começando por sua idade mental que não deve passar dos três anos.
Sim, estamos falando de uma mulher de 34 anos, que se casou com um velho rico e hoje vive uma típica vida fútil, em que ela acorda ás 3 da tarde, passa a tarde no shopping com as amigas falando sobre o novo esmalte que entrou na moda após ser visto em uma celebridade, ou sapatos caríssimos, de todas as marcas, formas ou cores.
     Por mais que eu não suporte esse tipo de vida não seria ao todo ruim morar com ela, eu até aguentaria ignorar suas roupas cheias de brilho que até me doem os olhos, ou sua voz "meiga demais" que me dá repulsa só de ouvi-la. mas o pior, é que não satisfeita em destruir a minha vida desde o minuto em que decidiu ficar com a minha guarda, o seu lado interesseira falou mais alto e ela prometeu a um velho fazendeiro rico, que assim que eu atingir a minha maior idade, eu me casaria com seu filho, um caipira grosso que não tem modos nem para se sentar a mesa.
       Minha vida se tornou um inferno após isso, e eu a questionei todos os dias, perguntando porque diabos eu teria que entrar para o projeto de família buscapé por dinheiro, já que dinheiro nunca será problema naquela casa, suas respostas eram sempre secas e sem argumentos, mas pra mim ela queria me tornar alguém como ela, alguém que só casa por dotes e interesse.
     E aqui estou eu, após virar a noite em uma interminável discussão com ela, e deixá-la completamente sem argumentos. fui mandada para o Hostelling International, o maior e mais conhecido internato de New York, aqui eu serei esquecida durante anos, até completar a maior idade e poder me libertar desse inferno. Sinto raiva, raiva de mim mesma por não ter impedido aquele acidente, raiva de meus pais por serem tão imprudentes e não tomarem cuidado com a própria vida, raiva dos meus amigos por me abandonarem, raiva da minha tia por não pensar em nada que não seja ela mesma, raiva do motorista por cumprir muito bem o seu trabalho e não me deixar fugir durante o percurso.
    Eu estava em frente ao grande prédio, sem nenhuma coragem de sair do carro e fazer oque um dia terei que fazer, encarar a vida que daqui pra frente terei que levar, afinal o grande prédio era simplesmente o meu novo lar.
  Encarei o homem a minha frente que me olhava impaciente, mas ao mesmo tempo com pena da situação em que eu me encontrava, não é todo dia que seus pais resolvem bater as botas, seus amigos interesseiros te abandonam, e você é forçada a viver em um internato estando intensamente debilitada.
   Respirei fundo por umas três vezes, tentando acalmar o meu coração, pisquei os meu olhos várias vezes, e me levantei do carro, sentindo o meu estômago se revirar, Pisei na baixa e esverdeada grama, uma brisa passou por meus cabelos e braços, e fez com que um leve arrepio se passasse por meu corpo e eu cruzei os braços, me encolhendo em meio ao frio.
- Boa sorte... - disse o motorista, que até o momento não havia se pronunciado.
     Não o respondi, eu estava naqueles momentos em que se eu falasse alguma coisa, acabaria chorando, e uma das piores sensações na vida é chorar diante de alguém.

   Fitei o meu novo lar, e senti ele se pondo ao meu lado enquanto retirava as minhas malas e fechava o porta-malas.
 -Adeus, senhorita Collins - ele disse em um tom baixo, e eu apenas assenti, sentindo vontade de acordar desse pesadelo e ter os meus pais me abraçando, e dizendo que tudo ficará bem.
 Aprendi da pior forma que o futuro é uma caixinha de surpresas, a poucos dias eu tinha uma vida, agora só me restam duas malas e uma dor insuportável dentro do peito, não importa oque eu faça, nada trará a minha vida de volta, esse pesadelo se tornou a minha realidade.
 Senti o carro se deslocar por trás de mim, e um calafrio me subir a espinha. Enfim malas, agora seremos só eu eu você.

                                                                      *           *          *


   Adentrei o enorme ambiente, encontrando armários muito bem fechados e impecáveis, alguns alunos circulavam pelos corredores apesar de quase todo mundo estar em seus dormitórios.
  Meu olhar percorreu por cada metro quadrado daquele lugar, e não podia ser mais luxuoso, escadas com degraus de vidro, piso impecável, portas brancas para todos os lados, armários todos cor vermelho e branco, e todas essas outras coisas que só se vê em filmes, aquele era o colégio que eu sempre sonhei em estudar.
  Encarei por umas duas vezes o papel a minha mão, que indicava o número do meu quarto, "335 b" fala sério, nem que eu rodasse esse colégio inteiro eu acharia o meu próprio quarto.
  O que eu mais temia naquele momento era ter uma colega de quarto, como eu poderia suportar conviver com alguém durante 24 horas sem surtar ou cometer um homicídio?
   Ajustei pela milésima vez a minha saia, que sempre insistia em ficar curta demais, e segui em direção aos quartos, sei que demoraria horas á procura, mas eu já sabia que vir a esse lugar a essa hora da noite ia dar alguma merda.
     Passei por vários quartos da ala b, até chegar ao último do corredor, e me dar conta que ele termina no quarto "288", quantos corredores devem haver por aqui?
Subi as escadas a minha frente, entrando em um novo corredor, ainda na ala b, e após uns bons 20 minutos procurando o maldito quarto, finalmente pude respirar pesadamente e descansar.
   "SeuNome Collins" estava escrito em letras grandes na porta, um leve sorriso se formou em meus lábios ao notar que não havia nenhum outro nome na porta, eu realmente não estou querendo me socializar.
     Abri a porta lentamente e com cuidado, assim que a luz forte e clara do corredor deu de encontro com o amplo quarto escuro, um reflexo iluminou grande parte do quarto, me dando visão de tudo ao meu redor.     Fechei a porta logo atrás de mim, e liguei a luz, observando cada canto daquele quarto e me admirando mais, tudo parecia tão novo e diferente do que eu esperava.
   Por mais que eu fosse ficar sozinha naquele quarto, haviam duas camas, e uma onda de decepção passou por meu corpo, isso significaria que até o fim dos últimos três anos, alguém poderia vir para cá, e minha vida se tornará muito pior do que já está.
Se é que há como piorar.
  Desfiz a minha mala sem dar importância a qualquer desorganização, apenas joguei as minhas roupas dentro do enorme guarda-roupas de cor branca, que dava contraste com o piso, e caminhei até o banheiro.
  Ele era muito mais luxuoso do que pensei, tudo tão impecável e perfeitamente limpo, com direito a pia de porcelana e banheira hidromassagem.
  Eu realmente queria me sentir feliz com esse tipo de luxo, de verdade. Queria aproveitar tudo isso como todos aqui devem fazer, queria rir sem motivo algum, me enturmar, fazer amizades, e fazer esses três anos inesquecíveis, de forma que quando eu alcançar a maior idade não se esqueça de nada aqui.
   Eu realmente queria isso.
   Mas eu não conseguia, por mais que eu me esforçasse, eu me encontro devastada por dentro, estou amargurada por saber que nunca mais terei a minha vida de volta. não consigo aceitar a o fato de que todas as pessoas que estavam ao meu lado foram embora, de que meus pais não estão mais aqui, e de que quando terminar o maldito colegial, eu não terei amigos, família ou alguém que ao menos goste de mim. Serei apenas uma pessoa maior de idade que não tem um sentido para viver. Dias bons? apenas em lembranças.
   Odeio o fato de ainda estar viva.
Encarei a enorme banheira a minha frente, uma rápida ideia passou por minha cabeça, mas eu a ignorei.
   Voltei ao quarto pegando a minha toalha, e roupas que eu possivelmente usaria, voltando ao banheiro e as empindurando sobre um porta- toalhas que ali havia.
   Me despi rapidamente, e liguei o chuveiro, sentindo a água quente em contanto com o meu corpo, o vapor relaxava os meus músculos e me davam a sensação de prazer momentânea.
   Peguei um pote de shampoo que estava ao lado da banheira, e o despejei sobre meus cabelos, esfregando o couro cabeludo, e em seguida o resto do meu corpo.
  Após finalizar o banho, sequei os meus cabelos e o meu corpo. em seguida, vesti um jeans preto, uma blusa branca, e uma blusa de frio azul marinho que suas mangas cobriam os meus pulsos, me encarei o meu reflexo no espelho, e abri a porta, desligando as luzes.
   Eu tinha noção de que já era tarde, e que amanhã eu teria aulas logo cedo, mas eu não tinha sono, não tenho uma noite de sono decente desde aquele maldito acidente, e provavelmente se eu ficar sozinha por mais de dez minutos em um quarto, eu voltarei a chorar, e se tem uma coisa que eu venho fazendo a semana inteira é me trancar no quarto e simplesmente desabar.
   Atravessei o enorme corredor, parei no início da escada tendo uma visão de como aquele lugar era enorme, tudo ali parecia ser feito sob medida para cada aluno. desci as escadas lentamente, evitando fazer qualquer barulho que acordasse os demais alunos.
   Andei em passos rápidos, passando por corredores, refeitórios, armários de todos os tipos, e uma biblioteca, havia muito mais lugares por aquele colégio, mas minhas pernas não aguentariam o esforço de rodar esse lugar inteiro, aquilo parecia mais um labirinto interminável.
  Ouvi um barulho abafado de algo bater contra o chão, o impacto fazia com que eu sentisse algo tremer por debaixo de meus pés, e aquele som se repetia por várias e várias vezes. por alguns bons minutos ele parou, e depois o som de gritos histéricos dominou o lugar, fechei os meus olhos e tentei acalmar o meu coração. eu não diria que seria algo assustador ou sinistro, mas quando se está no meio da madrugada, até seu próprio reflexo te traz medo.
   O som de algo leve bater contra o chão voltou, e sem me dar tempo de novas reações os gritos histéricos voltaram, notei que eles viam de uma enorme escadaria, tentei por inúmeras vezes me convencer de que não seria uma boa ideia descer aquelas escadas, mas a minha curiosidade simplesmente ignorou todas as ordens do meu sub-cociente.
   Mas afinal, se eu me escondesse bem, e ninguém me visse por lá não haveria problemas.
   Caminhei em direção a escadaria, descendo com cuidado cada degrau, a adrenalina pulsava sobre minhas veias e coisas sinistras circulavam a minha mente naquele momento.
   Ao chegar no andar debaixo percebi que não era nada do que eu estava pensando, ao invés de coisas sinistras e assustadoras, só havia um garoto no centro de uma enorme quadra, jogando basquete e todas as vezes que ele fazia alguma cesta, um grupo de garotas desocupadas comemoravam.
   Eu preferia ter visto coisas assustadoras por aqui, sem dúvidas seria menos tedioso.
   Cruzei os meus braços, encostando a lateral de meu corpo em uma pilastra que ficava nos fundos da quadra, cruzei as minhas pernas e respirei fundo, ninguém me veria ali.
    Observei o jogo e o quão tosco aquilo me parecia, por que elas acordaram a essa hora apenas para ficar gritando por um garoto que não dá a mínima pra nenhuma delas? pra quê se diminuir dessa maneira?
   Por um minuto, me flagrei fitando o corpo do garoto logo a minha frente, enquanto ele se preparava para fazer mais uma cesta e ouvir os gritos histéricos das garotas. sua camisa branca e comprida, ficava levemente apertada em seus braços, deixando evidente que por trás de suas vestimentas havia um belo corpo definido. Sua camisa tinha os três primeiros botões desabotoados, deixando uma área extremamente desejada pelas mulheres a mostra, e não negavam o quanto o garoto era provocante.    Ele também continha cabelos encaracolados e olhos extremamente verdes, agora sim está explicado o porquê de tantos suspiros e gritos histéricos, ele mesmo deve saber o efeito que tem sobre elas.    Revirei os olhos, e caminhei de volta até o meu quarto.
   Meus passos pareciam infinitos em meio ao enorme chão gelado que eu teria que percorrer até voltar ao me quarto, me auto-encorajei a subir novamente as escadas e voltar para o meu quarto.
   Após chegar ao corredor, demorei uns bons cinco minutos procurando por meu quarto, já que eu ainda não havia decorado a sua localidade.
   Novamente dei as costas para a porta, e deitei sobre minha cama, era tão grande e macia, com travesseiros de todas as partes do mundo espalhados por sua extensão.
   Fechei os meus olhos, antes que eu me permitisse a voltar a ter lembranças indesejadas que certamente me entristeceriam.
   Relaxei o meu corpo, sentindo sono pela primeira vez naquela semana, eu finalmente dormiria, e nada iria atrapalhar aquilo.
   Quem me dera se isso fosse verdade, pois foi só eu fechar os olhos que gemidos falhos e roucos invadiram o quarto, e aquilo passou a ser um tanto quanto constrangedor. os gemidos ficavam cada vez mais altos, e uma voz aguda pronunciando "Harry" encheu o ambiente, que tipo de colégio era aquele?
   Respirei fundo, com uma vontade grande de ir a porta ao lado e acabar de vez com aquilo, mas o fato de se estar deitada em uma cama grande e relaxante, não facilita nada.
   Por que aquilo estava acontecendo? por que justo quando eu consigo sentir sono alguém precisa estragar a minha noite de vez? oque eu fiz pra passar a viver esse inferno?
   Suspirei por umas três vezes, e me encorajei a tomar alguma atitude.
   - Será que dar para o casalzinho calar a boca?- fui tomada pela raiva e disse em tom alto para que eles pudessem ouvir.
   Um silêncio dominou o ambiente, talvez eles haviam se assutado e resolveram parar por ali?
   - Não... N-Não enche! - uma voz masculina se pronunciou, e logo voltaram os gemidos.
   Uma garota gemia alto o nome de um tal Harry, e eu tentei ignorá-los novamente e manter a calma, mas aquilo não podia ficar mais irritante, eu mal conseguia fechar os olhos.
   Sentia uma vontade grande de invadir o quarto ao lado e calar a boca dos dois, mas eu ainda tinha esperança de conseguir isso sem me levantar.
   - só mais um gemido e eu vou aí - ameacei.
   - só mais uma reclamação e eu vou aí!- ele provocou.
   Pensei por alguns segundos, até reformular uma resposta a altura naquela discussão.
   - Então vem, será um prazer quebrar a sua cara! - disse alterada.
   - Quebrar a minha cara? isso vai ser antes ou depois de você implorar pra que eu te faça gemer também?
   Não respondi, não iria discutir com aquele idiota, mas quando eu descobrir quem é esse tal Harry, ele vai aprender a não se meter comigo.
    Mal deu cinco minutos e eu ouvi alguém bater na porta com certa brutalidade, é parece que ao contrário de mim, ele quer mesmo discutir.
   Me levantei, sentindo a minha cabeça latejar e um certo ponto em meu pescoço ficar dolorido, e abri a porta lentamente.
                                            

   Meu corpo quase veio ao chão, quando meus olhos encontraram o seu de cueca box e olhos esmeralda a minha frente, senti um calafrio me percorrer e minhas mãos suavam frio naquele momento.
   Era ele.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Elite - A nova série da Netflix que promete ser um sucesso!




   Elite - A nova série da Netflix que promete ser um grande sucesso!





   Dramas marcantes, personagens reais e bem construídos, ótima fotografia e enredo muito bem construído. A recém estreada série da Netflix promete ser um grande sucesso!

   Elite - estreada em 5 de outubro - conta com Marina (María Pedraza), Nano (Jaime Lorente) e Christian (Miguel Herrán), conhecidos por interpretarem Alison Parker, Rio e Denver em La Casa de Papel. Composta por um suspense deveras pesado, Elite é contada em dois tempos difentes (passado e futuro) intercalando entre os acontecimentos no colégio (anteriores ao assassinato) e os alunos sendo interrogados (após o ocorrido). Além disso, série é composta por um misto de referências que vão desde Gossip Girl á RBD (é sério!).

   A série conta a história de três alunos que vão estudar em um colégio de Elite, após um acidente ocorrer no colégio onde estavam. Já em seu início a diferença de classes passa a ser um problema. Desde o início, já é perceptível a forte crítica social lançada ao tema, como o fato dos três alunos já serem tidos como suspeitos, pelo simples fato de terem pouco poder aquisitivo. 





   Além disso, o ponto de vista de vários personagens são mostrados com atenção e profundidade, permitindo que o público possa vê-los com interesse e - muitas vezes - preocupação. O suspense está ali a todo momento, justamente com o clima de pode ser qualquer um, além da série contar com uma playlist muito bem selecionada e encaixada nos momentos certos (e de forma muito peculiar).

  Apesar disso, nem tudo são flores e a série também conta com alguns pequenos furos de roteiro, personagens que tomam certas atitudes sem justificativa alguma, diálogos fracos (principalmente os da Marina) e algumas pequenas voltas estilo novela, que não acrescentam nada ao enredo e só estão ali para criar uma pequena tensão passageira.

  Com o foco no público adolescente (apesar de ser +18) a série possui alguns dramas da idade - que são muito bem elaborados -, críticas fortes e polêmicas, e alguns momentos de cair o queixo. Vale a pena dar uma conferida!







quinta-feira, 18 de outubro de 2018

[TEXTO] A aceitação do "adeus"

A aceitação do “adeus”

Texto escrito por mim, cerca de dez minutos depois de saber da notícia do falecimento da minha avó, que estava com câncer no intestino e havia sofrido um AVC. Há uma grande repetição da palavra “senhora” — que é a forma como eu sempre me referi a ela. Perdoem se houverem erros gramaticais.
Eu pensei que a senhora fosse voltar.
De verdade, foi o que pensei.
Talvez eu fosse esperançosa demais. Talvez eu nunca tenha sentido o peso da morte de verdade. Talvez eu estivesse me enganando...mas eu acreditei.
Sabe Vó, eu escrevi um texto pra você. Não esse: um texto grande, bonito, esperançoso. Um texto inteiro dizendo que eu te amo e que seria incrível quando a senhora voltasse do hospital…
Mas a senhora não vai voltar.
Por quê? - eu me pergunto - Por que havia a necessidade de que a senhora se fosse agora? Por que não houve um aviso prévio, um sinal, algo ou alguém que me dissesse que aquele “dia das mães” seria o último ao seu lado?
Eu ainda não consigo acreditar, vovó. Em nada disso.
Pra mim a senhora ainda está no hospital, “dodói” — como você costumava falar. Pra mim a senhora ainda vai passar por algumas coisinhas, mas depois vai voltar pra casa, feliz e bem. Pra mim eu ainda vou poder te dar o último abraço, ter uma longa última conversa, vou poder passar longos 15 minutos te abraçando e dizendo o quanto te amo, te admiro e o quanto a senhora foi importante na minha vida.
Fico triste e arrependida em saber que não poderei fazer mais isso. Que eu devia ter feito isso antes que a senhora se fosse, durante as férias que eu passava na casa da senhora, quando pequena, durante o último dia das mães, durante um de seus muitos aniversários ou em um dia normal, simplesmente chegar na senhora, te dar aquele abraço e te contar que pra mim a senhora é a minha segunda mãe e que eu faria tudo pra que a senhora fosse eterna.
Se eu soubesse...eu faria tudo isso.
Tocaria os seus cabelos e te diria que são os mais lindos do mundo. Que você foi a pessoa mais doce que eu já conheci na vida. Te faria sorrir. Lavaria a louça, enxugaria os pratos, limparia os móveis, cozinharia… só pra te ajudar e não deixaria que a senhora sofresse nunca. Te pediria a benção, te contaria tudo o que têm me acontecido, te tranquilizando e te deixando claro que tudo está bem comigo. Já que desde o meu pequeno distúrbio alimentar, isso tem a preocupado demais e eu, erroneamente, não consegui te passar confiança o suficiente e te fazer confiar que eu não vou deixar que isso ocorra novamente.
Eu queria que a senhora soubesse que se eu pudesse eu não deixaria que nenhum sofrimento lhe atingisse. Não permitiria que nada daquilo acontecesse. Eu lutaria, faria o que fosse preciso, faria que fosse diferente.
Sabe, que, mesmo não estando mais aqui, mesmo não podendo me abraçar e dizer algum conforto, a senhora está me ensinando uma lição. Está me mostrando que devemos valorizar o hoje. Não esperar acontecer algo assim para dizer “eu te amo” pra alguém porque hoje é importante. Que não devemos nos envergonhar de mostrar afeto e que devemos valorizar cada segundo, pois é muito precioso.
Eu sei que a senhora está feliz agora. Eu sei disso, é o que me alivia. Mesmo com toda essa saudade, o que me deixa bem é saber que a senhora está bem melhor. Que todas as coisas que eu faria para que a senhora não sofresse já foram feitas, que Deus está bem aí, do seu lado agora.

[TEXTO] A morte

A morte

A verdade é que nós ainda não sabemos lidar com a morte.
Não estou dizendo que não sabemos o que é morte, é óbvio que sabemos.
Até decoramos todo o processo, desde o nascer, até o grande — ou pequeno— dia. Sabemos, todos nós, que aquele nosso amigo pra todo momento um dia vai. Sabemos que aqueles nossos familiares que só vemos nos natais vão. Que nossos inimigos vão. Nossos pais. Os bichinhos de estimação. Aquele seu vizinho que ouve música alta até tarde….iih, esse é que vai mesmo.
Temos total certeza de que um dia eles se vão, talvez antes de nós, talvez depois. Mas mesmo assim, é só vir a grande notícia e lá estamos nós, profundamente chocados, chorando copiosamente, por uma morte que já sabíamos que um dia iria vir, já que é a única certeza que temos na vida.
Mas a minha pergunta é: por que não sabemos lidar com a morte?
Ela está aí, nos noticiários, no meio do trânsito, nos corredores dos hospitais, na ficção…
E não sabemos lidar com a lazarenta.
Mas pra não dizer que não temos nenhum mérito, que somos seres que não sabem lidar com os problemas e que nos quebramos com uma facilidade absurda — o que é uma verdade irrefutável — Nós sabemos sim, lidar com a dor…a dor do outro.
Alguém perde um familiar que você nunca viu na vida e você tem todos os conselhos e aceitações na ponta da língua, de repente se vê graduado na psicologia-do-descanse-em-paz e se vê pronto pra escrever um livro de quinhentas páginas sobre como é fácil superar o grande bater de botas. Acredite, tem gente que faz isso, não estou brincando.
Mas então, quando a dor é nossa…
Aí não.
Aí não pode.
Aí estamos perdidos.
Aí perdemos o chão.
Aí os conselhos somem.
Aí você se vê indignado com cada pessoa que ri ou está feliz naquele fatídico dia — inclusive aquele pobre coitado não tinha a mínima noção de quem era a sua tia Gertrudes.
Isso acontece porque não queremos ver quem amamos sofrendo. Não suportamos a mínima possibilidade de ver aquela pessoa que te fez bem por tanto tempo gemendo de dor e sofrimento numa cama ou em um corredor de hospital, ou até gritando de dor dentro da sua própria casa.
E mesmo quando a morte é rápida e indolor, nós sofremos. Porque ver aquela pessoa sumir da nossa vida é algo assustador o suficiente para arrancar lágrimas de nossos olhos enquanto as mesmas limpam os nossos globos oculares e incham toda a nossa cara.
Daí produzimos séries sobre o assunto, escrevemos livros, contamos para as criancinhas sobre o processo de “nascer, crescer e morrer”, ao mesmo passo em que damos valor a coisas fúteis que julgamos importantes enquanto aquela pessoa especial está bem do nosso lado e nós não aproveitamos o momento, porque sempre achamos que vamos ter mais tempo.
Fazemos tudo isso enquanto negamos com todas as forças o grande fato inegável: que não sabemos lidar com a morte.

[TEXTO] Vai lá! Eu deixo você ir



                                     Vai lá! Eu deixo você ir.

  Vai lá pra sua garota, cara!
  Hm…certo. Ela está namorando. Essa é estranhamente, uma situação muito parecida a uma a qual você me submeteu.
  Mas, bem, se não for ela, você encontra outra. Alguém que você ame de verdade e que não sinta apenas atração. Alguém que você olhe nos olhos e saiba que sente amor, não apenas paixão. Alguém que mude a sua percepção sobre o sentimento.
  Você me ensinou muito sobre a vida, relacionamentos, política e, principalmente, sobre você.
  Aprendi que enquanto você posta em uma determinada rede social sobre o seu coração ter sido partido, sobre estar na tão falada “friendzone”, sobre as mulheres não terem coração ou sobre você não crer mais no amor…há uma garota.
  Uma garota que você esqueceu.
  Uma garota, coberta por um edredom azul marinho, chorando copiosamente, jurando a si mesma que precisa te tirar do coração pra ele parar de doer. Porque você é como uma droga ilícita: no início é prazeroso, trás euforia, sensações únicas e uma alegria inimaginável. Você faz mal, antes que se possa notar. Seus prazeres escondem os seus malefícios. E quando eu precisei me afastar, entrei numa crise de abstinência de você.
  Mas é isso que eu estou fazendo.
  Agora é pra valer.
  Sem medo de estar errando. Sem medo de sentir a sua falta nos próximos anos. Sem medo de achar que tomei a pior decisão possível. Sem medo de ficar pensando “e se?”.
  Porque você se foi primeiro. Você me abandonou. Você me deixou sozinha, quando eu ainda estava do seu lado. Me trocou por ela — da pior forma possível. 
  Foi você quem me deixou de lado. 
  Foi você que me deixou pra lá. 
  Foi você que me ignorou. 
  Foi você que se esqueceu que eu estava viva. 
  Foi você.
  Não é preciso só falar de amor próprio: é preciso praticá-lo. É preciso vivê-lo todos os dias, como o mais importante dos relacionamentos. E é aí que está: eu me traí com você. Me enganei com você. Me quebrei por você. Fiz tudo o que jurei a mim mesma jamais fazer. E foi por você.
  Não posso continuar fazendo essa barbárie a mim mesma, como se fosse algo saudável. Não posso continuar insistindo em algo que só me faz mal, só me põe pra baixo.
  Não posso continuar amando profundamente alguém que nunca me amou.
  Então, aqui estou eu. De frente ás grandes portas do seu coração. Talvez eu nunca tenha estado aqui pra valer. Talvez minha mente tenha me enganado.
  Encaro algumas rachaduras na entrada e sorrio: não fui eu que as causei.
  Minha grande mala está do meu lado.
  Eu quase posso ouvir nitidamente cada batida do meu coração. Aquela sensação nervosa me matando por dentro. Mas uma pequena alegria: não vou mais chorar por você. Acabou. Estou livre.
  Agora eu posso ir.
  E você também.
  Vai ser uma longa guerra pela frente: você me vendo com outros, eu te vendo com outras.
  Quero seguir em frente. Quero beijar outras bocas, flertar, conhecer gente nova e me divertir. Quero que esse seja o melhor ano possível e, principalmente, quero que você não esteja nele.



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